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OS CIENTISTAS NÃO CONSEGUEM ACREDITAR NA FORMIGA ESPANHOLA QUE ESTÁ DOMINANDO A EUROPA E DESAFIANDO AS REGRAS DA EVOLUÇÃO.
Por Miguel Filho
Publicado em 13/02/2026 13:31
CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Por ÓSCAR JIMÉNEZ

Utilizam outra espécie para proteger suas colónias

Um estudo publicado na revista Nature revelou um fenómeno biológico sem precedentes no sul da Europa. O protagonista é Messor Ibericus, uma formiga colectora presente na península Ibérica que desenvolveu uma estratégia reprodutiva que deixa perplexos os investigadores.

Durante anos, soube-se que esta espécie dependia de outra, Messor structor, para manter suas colónias ativadas. As rainhas de Messor ibericus apareceram com machos de Messor structor e geraram obreiras híbridas estéreis que sustentam a estrutura social. É dito que, sem ser uma espécie de “social”, a colónia não pode funcionar.

Mas a descoberta vai mais além. Os cientistas detectaram exemplos de Messor structor dentro das colónias de Messor ibericus em centenas de quilómetros de seu habitat natural.

A pergunta era como havia sido levada até lá.

A resposta foi recebida até mesmo pelos próprios autores do estúdio: a rainha do Messor  Ibericus não utiliza apenas o material genético de outra espécie, embora também possa cloná-la.

Produzir tantos indivíduos de sua própria espécie como cópias genéticas do Messor structor, o que permite garantir o suprimento biológico necessário para sustentar suas colónias híbridas. Este mecanismo cria uma dependência reprodutiva obrigatória e extremamente sofisticada. Na prática, Messor ibericus “domestica” geneticamente a outra espécie, replicando e expandindo tudo onde estabeleceu novas colónias.

 

O investigador descreveu o fenómeno como um caso de clonagem interespecífica obrigatória, algo que rompe um dos princípios clássicos da biologia: que uma espécie só produz descendência de sua própria linhagem. Aqui, uma mesma raínha pode gerar membros de duas espécies distintas. Mais que uma invasão territorial convencional, trata-se de uma estratégia evolutiva inédita que obriga a replantar como entendemos a reprodução animal e os limites entre espécies. Nas palavras dos especialistas, é uma descoberta que “reescreve o manual” da evolução.

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