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UM ANO APÓS REGRESSO DE TRUMP À CASA BRANCA HÁ EROSÃO DE DIREITOS E ESCALADA AUTORITÁRIA
Por Miguel Filho
Publicado em 20/01/2026 14:03
ACTUALIDADE
O presidente dos EUA, Donald Trump, faz um discurso durante um pequeno-almoço com senadores republicanos na Sala de Jantar Oficial da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, a 5 de novembro de 2025. EPA/YURI GRIPAS / POOL© TVI Notícias

A organização Amnistia Internacional denunciou hoje uma escalada de práticas autoritárias do governo dos Estados Unidos desde que Donald Trump regressou à Casa Branca, há um ano, alertando para a erosão dos direitos humanos naquele país.

Num relatório divulgado para assinalar o primeiro aniversário do segundo mandato de Trump como Presidente dos Estados Unidos (EUA), a organização internacional de defesa dos direitos humanos alerta para o encerramento do espaço cívico e o enfraquecimento do Estado de direito e para a forma como isso está a pôr em causa direitos humanos quer no país quer além-fronteiras.

“Ao destruir normas e concentrar o poder, a administração [Trump] está a tentar tornar impossível que alguém a responsabilize”, avisou o representante.

Segundo Paul O’Brien, “não restam dúvidas de que as práticas autoritárias da administração Trump estão a aumentar o risco para jornalistas e pessoas discordantes, incluindo manifestantes, advogados, estudantes e defensores dos direitos humanos”.

O relatório “Soando os Alarmes: Aumento das Práticas Autoritárias e Erosão dos Direitos Humanos nos EUA” documenta a escalada da situação em 12 áreas nas quais, segundo a Amnistia Internacional, “o Governo Trump está a abalar os pilares de uma sociedade livre”.

 

Ao mesmo tempo, acrescentou, “a intimidação da imprensa torna mais difícil expor as violações e abusos dos direitos humanos, a retaliação contra os protestos faz com que as pessoas tenham medo de falar, a expansão da vigilância e da militarização aumenta os custos da dissidência, e os ataques a tribunais, advogados e órgãos de supervisão tornam mais difícil fazer valer a responsabilidade”.

Segundo a Amnistia Internacional, estas práticas são semelhantes às que são usadas noutros países em que governos controlam a informação, punem a dissidência, restringem o espaço cívico e enfraquecem os mecanismos destinados a garantir a responsabilização.

A experiência mostra que “quando as práticas autoritárias estão totalmente enraizadas, as instituições destinadas a restringir os abusos de poder já estão gravemente comprometidas”, alertou o diretor executivo.

No relatório, a organização recomenda às entidades norte-americanas e internacionais que restaurem “com urgência” as salvaguardas do Estado de direito e reforcem a responsabilização para “garantir que as violações dos direitos humanos não sejam ignoradas nem aceites como inevitáveis”.

“As práticas autoritárias só se enraízam quando se permite que se normalizem. Não podemos deixar isso acontecer nos EUA”, frisou ainda a Amnistia Internacional.

 

Donald Trump tomou posse a 20 de janeiro de 2025 e tornou-se o 47.º Presidente dos EUA. O republicano já tinha cumprido um primeiro mandato presidencial (2017/2021).

 
 
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