A China executou hoje 11 membros de uma rede de fraude cibernética que operava a partir de Myanmar (antiga Birmânia), conhecida como "grupo criminoso da família Ming", condenados à pena de morte em setembro, informou a imprensa oficial.
Entre os executados figuravam "membros-chave" da organização criminosa, de acordo com a agência de notícias oficial Xinhua.
No mesmo processo, o tribunal, da cidade oriental de Wenzhou, aplicou ainda cinco penas de morte com suspensão por dois anos, 11 penas de prisão perpétua e 12 condenações entre cinco e 24 anos de prisão, por crimes que incluíam burla, homicídio intencional e ofensas corporais graves, num total de 14 tipos de crimes imputados.
Os centros de crime fraudulento proliferaram em Myanmar, sobretudo em zonas fronteiriças com a China, após o golpe de Estado de fevereiro de 2021, que mergulhou o país numa profunda instabilidade e facilitou a atuação de redes de crime organizado.
Segundo um relatório das Nações Unidas, pelo menos 120 mil pessoas estão retidas em centros em Myanmar, onde são forçadas a realizar burlas `online`, enquanto no Camboja, outro grande foco destas atividades, o número poderá rondar as 100 mil.
Tratam-se de complexos fechados, semelhantes a prisões, onde as vítimas, atraídas por falsas ofertas de emprego, são obrigadas a cometer fraudes `online` a partir de computadores, sendo sujeitas a "violência extrema", segundo autoridades internacionais.
Nos últimos anos, a China tem pressionado a junta militar de Myanmar e realizado operações conjuntas para desmantelar estas redes de tráfico humano, o que levou à extradição de centenas de suspeitos para território chinês.